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Perguntei quanto custa ficar com o barco aqui (e a resposta me calou) | #SAL #425 – Lista Email Simples

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Perguntei quanto custa ficar com o barco aqui (e a resposta me calou) | #SAL #425

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Todo velejador que sonha em entrar no Rio São Francisco esbarra na mesma pergunta: como passar pela foz? Há anos a resposta é sempre o mesmo nome — Mário Jorge. Ex-lancheiro, engenheiro e penedense, ele botou na cabeça que seria “aquele que bota os barcos pra dentro” e passou décadas insistindo até que Penedo tivesse uma marina de verdade. Ancorei no píer dele, perguntei quanto custava ficar — e a resposta me calou. E ouvi a frase que resume o homem inteiro: “Se tirarem esse rio de mim, eu morro.”

Neste episódio #425 do Hashtag Sal, Mário Jorge conta como largou a lancha depois de “enlouquecer pela vela” em Olinda, por que a vela esportiva nunca chegou ao São Francisco apesar de séculos de canoas e barcos a vela trabalhando neste rio, e como a marina de Penedo saiu do papel dentro de um prédio histórico recuperado.

Falamos também da parte que mais assusta quem quer navegar aqui: a barra. São três barras (norte, sul e a principal) sem carta náutica atualizada, mudando de lugar a cada temporada por causa da redução do fluxo de água e sedimento das represas rio acima. Com dois metros de calado dá para entrar. Com vinte nós de vento, vira outra história. Ele explica o que olhar, quando não vir, e por que conhecimento local ainda vale mais que qualquer equipamento.

E tem a conta que ninguém faz: a ponte de Propriá, construída com cerca de doze metros de altura, praticamente fechou o rio para veleiros. Mário conta quantas birutas e antenas deixou lá, e como brigou por vinte e cinco metros de altura na nova ponte de Penedo para não fechar de vez a porta do São Francisco para o mar.

No fim, fica a pergunta que dá título ao rio: por que quase nenhum veleiro entra no lugar mais cantado, pintado e escrito do Brasil? Água doce transparente, ancoragens incontáveis, segurança, sessenta milhas navegáveis até Traipu e Gararu, uma cultura ribeirinha viva. E o píer quase vazio. A ideia dele: um rali guiado, nos moldes do que se faz na Amazônia, entrando com dez ou quinze barcos de uma vez.

CAPÍTULOS
00:00 A foz que assusta os velejadores
01:29 De lancheiro a velejador: o começo cômico
03:18 Por que a vela esportiva nunca chegou ao São Francisco
05:27 A volta pra Penedo e o sonho da marina
09:32 Subindo o rio: correnteza, maré e os primeiros passeios
11:56 A marina sai do papel
13:53 A escola náutica e o povo de costas pro rio
15:08 O homem que bota os veleiros pra dentro
17:48 Como é a barra de verdade: três barras, vento e onda
20:39 O sonho de uma regata no São Francisco
22:29 A vantagem da água doce
24:37 “Esse rio é como se fosse meu sangue”
25:36 A ponte de 12 metros que fechou o rio
28:57 Canoas, balsas e o que a nova ponte pode mudar
32:56 Penedo: porto, polo cultural e Ariano Suassuna
36:25 “E quanto custa pra ficar aqui?”
37:09 Por que quase nenhum veleiro entra no rio mais cantado do Brasil
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